
quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
s/nome, Armindo Lopes
terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Como o gmail tem andado baratinado é só para lembrar aos amigos da Outra Banda que temos uma lavagem marcada para sexta feira, ao lusco fusco. Ainda não tínhamos definido lavadouro mas sugiro à beira rio, do Lado de Cá!
segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007
Lavagem a frio
Em Portugal morre-se de frio como se morre de miséria e abandono. Como se morre de calor. Só.
domingo, 28 de Janeiro de 2007
sábado, 27 de Janeiro de 2007
dejan un gusto a sal bajo mi lengua,
enredan mis cabellos y me ahogan.
Y, cuando llego al fondo, me repugnan
los seres que lo habitan y lo ensucian,
seres escurridizos y viscosos,
sin párpados y sin extremidades,
sin lenguaje, sin lágrimas, sin ruido.
A veces tengo sueños como mares
y, cuando me despierto de uno de ellos,
sé que he sobrevivido a otro naufragio.
Amalia Bautista
sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007
quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007
A última lavagem, tal como a última palavra, deve ser um beijo. Sobretudo se não foi a primeira.
terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
(obrigada, Aldina, pela foto!)"Sou a favor da despenalização do aborto, nas condições e limites propostos no referendo, ou seja, desde que realizado por decisão da mulher, em estabelecimento de saúde, nas primeiras dez semanas de gravidez. Eis uma recapitulação das minhas razões.
segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007
domingo, 21 de Janeiro de 2007
sábado, 20 de Janeiro de 2007
Lavagens semelhantes
Aqui o real, definido pelo enquadramento e pelas gentes.
sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
Escadas do Codeçal, José Paulo Andrade
BALADA DAS MULHERES NO RIO
à memória de Jorge de Sena
As mulheres lavam no rio
o lixo quotidiano
e, às vezes, salta um peixe
da roupa ou um oceano.
onde elas flutuam
como nenúfares cinzentos,
onde são só vegetal
vivência sem desespero,
onde são manhãs ou noites
ou nenhum tempo sequer,
onde são serenas coisas
ou nada se se quiser.
António Rebordão Navarro
quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Los niños
Creo que en el Madrid de la posguerra,
cuando mis padres eran niños flacos,
hacía mucho frío en el invierno
y mucho más calor en el verano
de lo que soportamos hoy. Ahora,
como se ha suavizado nuestro clima,
nos licenciamos y tenemos coche,
alcanzamos las metas previsibles,
ganamos un buen sueldo y, sobre todo,
nuestros hijos son hijos deseados,
pensados, programados, protegidos.
A pesar de ventajas tan palpables,
me parece que son menos felices;
creo que comen más y ríen menos
que aquellos niños flacos de posguerra.
Amalia Bautista
quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007
terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo
por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Maria do Rosário Pedreira
segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

domingo, 14 de Janeiro de 2007
Estendal demente

sábado, 13 de Janeiro de 2007

sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

O senhor director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação, acha que os programas de Português têm uma forte componente de textos de literatura e que tal facto contribuíu para o aumento da iliteracia. Afirma, taxativo, que a TLEBS (ainda a TLEBS) pode ajudar a combater o insucesso. Apesar das deficiências que lhe são reconhecidas, apesar de ter sido suspensa (mas continuar em vigor).
O senhor director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação, não só, aparentemente, não vive em Portugal, como ignora a inovação e desenvolvimento curricular que a sua direcção geral tem promovido por esse país ao longo dos últimos anos. Mais. Duvido que tenha sequer feito a sua escolaridade em Portugal. Textos de literatura no ensino do Português (a sério) foi há mais de vinte anos.
Um sinal, tardio e patético, do absoluto descalabro da política de ensino da língua e literatura materna neste Portugal de 2007, são as reservas ao processo de implementação da TLEBS (a bondade da medida, como de costume, é genericamente abençoada) colocadas pelo Presidente da Associação de Professores de Português. A posição vale pelo que vale (pouquíssimo) mas denota a já indisfarçável mediocridade e irresponsabilidade da situação.
Falemos pois de literatura. Falemos de Maria do Carmo Vieira, a lutadora infatigável pela devolução e recuperação da literatura no ensino do Português. Falemos dela e dos textos e combates que continua a promover. Falemos dela porque falar deste louco só se for num obituário.
quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
a propósito da recente celebração litúrgica católica, promovida pelo director-geral dos Impostos, Paulo Macedo, para a qual foram convidados os funcionários públicos sob a sua tutela. Continuamos afinal na mesma penumbra beata e salazarenta que o Alexandre O'Neill tão bem descreveu.
Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...
Alexandre O'Neill
quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Achei que pedir emprestado o nome a um 'polvo espumante que hace brillar como un espejo' publicitado por uma loira oxigenada a resvalar para o duvidoso, era todo um programa para um blogue. Claro que só depois percebi (a pitosguice somada à distracção/falta de atenção?) que se tratava de detergente lava tudo, com tendência para sanitários. Confesso que fiquei meio desmoralizada, logo para começar.
Foi um equívoco semelhante que marcou a minha estreia na Rede, nos chats. Para além de escolher um nick de uma conhecida cantora pimba, cuja existência lamentavelmente ignorava, ainda por cima pespeguei-lhe, nunca percebi como, um bigode farfalhudo à Zapata, que nunca consegui tirar. Ninguém me levou a sério. O mais decente que me diziam era "Porra, Romana vai tirar o bigode de uma vez!"
Segue-se que, quando mudei o visual à San para os anos quarenta, a lavandaria lá se organizou e passou à condição de coisa minha, para cumprir a praga sarcástica da minha herdeira mais velha, discípula militante e convicta da Anne Taintor.
Obrigada pela vossa roupa, pelas visitas e pelas lavagens.

terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
Jour de lessive, Camille Pissarro
segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007
Lavagens coincidentes
Blanchiseuses, Edgar Degas
domingo, 7 de Janeiro de 2007
Lavagem a dois tempos

Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas,
apenas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é que me prende e oprime)
E peço, em vão, uma palavra exacta,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
Esqueci quem era e acordei mortal.
sábado, 6 de Janeiro de 2007

WASHER
De vez em quando a roupa enfia-se-me toda para o coração, fazendo dele a máquina e do sangue o detergente, e a pele vai atrás dela, às vezes precedida ainda pelo próprio tempo.
São séculos e séculos que nele nessas alturas revolteiam: vêem-se-me os ossos ir ganhando aos poucos um sentido que só quando o tempo por eles passa como uma corrente eléctrica os anima.
Luis Miguel Nava
sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

O sorriso
Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz lá dentro,
apetecia entrar nele, tirar a roupa,
ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade
quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007
Lavagem completa


quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Lavandières, Edgar Degas
Talvez uma das lavadeiras do Degas esteja a ler o almanaque com as previsões para o ano que começa. Talvez a outra esteja a ler uma nota de despedimento. Seja como for, mesmo que 2007 se apresente em termos pessoais, com algum potencial, é impossível ignorar as dificuldades que desde já promete: aumento de preços, aumento de tarifas, desemprego, desmantelamento dos serviços públicos essenciais (educação, saúde). Mas prometo esforçar-me por acreditar, se não em seis, pelo menos em três impossíveis antes do pequeno almoço, cada dia, como no outro lado do espelho do Lewis Carroll.
terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007
Lavandiéres à Étretat, Felix Vaillotton
Sempre cara me foi esta erma altura
Com esta sebe que por toda a parte
Do último horizonte a visão exclui.
Sentado aqui, e olhando, intermináveis
Espaços para além, e sobre-humanos
Silêncios, e profunda quietude,
Eu no pensar evoco; onde por pouco
O coração não treme.
E como o vento
Ouço gemer nas ervas, eu àquele
Infinito silêncio esta voz
Vou comparando: e sobrevem-me o eterno,
E as idades já mortas, e a presente
E viva, e seu ruído… Assim, por esta
Imensidade a minha ideia desce:
E o naufragar me é doce neste mar.
Giacomo Leopardi



