Estendal de lavagens antigas
aqui, à beira mar, onde o sol e o mar ignoram nevoeiros

Neste canto, sentada frente à porta, escrevo. O volume do rádio, sobre a mesa, está no máximo, para abafar o bater do coração.
Escrevo. Mas escrevo sem pensar, para que o desejo não se apodere das palavras, para que não fuja do peito atrás de uma frase perfeita. A caneta desliza no papel, lentamente, para que a alma não tropece na mão. Para que não arredonde as arestas destes dias sem brilho nem decência. Escrevo, mas escrevo como respiro quando está frio. Devagarinho. Cuidadosamente. Para que o frio que ainda me agarra as mãos não me devore o corpo.
5 comentários:
Pá, coisa que não consigo: escrever com o rádio no máximo.
... nem no mínimo, já agora.
Nada que uma aguardentezinha não resolva, à falta de melhor...
Pá, Eric Blair, não é nenhuma quadrophenia!!! Aguardente, argh!
Abençoado rádio, se o resultado é este, gastem-se as pilhas até ao fim, que essa parte eu garanto... Fogo, San!
Abraço forte sem frio que se atreva!
Oxalá estivesse a arder, Aldina!
;)
LINDO....tudo o que escreves-te,parabens
namastibet...
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