sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Estendal vazio


de pesadelos, de sombrias vontades pressentidas nas esquinas, de sufocos antiquíssimos a marcar as encruzilhadas que os homens urbanizaram e corromperam,

de gritos sepultados na garganta e que devoram os olhos, quando o corpo se entrega ao calor embaraçado de outros corpos,

de sobressaltos que estremecem janelas e batem portas que esquecemos de fechar, quando toda a casa desistiu de procurar o sol,

de misteriosas,
perdidas canções trazidas na ventania em dias de temporal, e que ecoam como lamentos encantados nas ruas desertas,

de vozes acossadas pelo frio e pelo pavor de atravessar a cidade sem sons, sem risos, sem palavras, sem afagos.

2 comentários:

Eric Blair disse...

Está como o meu (o estendal). Acabo de retirar o equipamento que estava a secar. Vou jogar a costumeira futebolada dos sábados com a velhada. No nosso caso já não é soltereiros contra casados; é mais casados contra divorciados (a fase seguinte é divorciados contra viúvos).
:) bom dia

San disse...

Viva, EB, bom dia!
Ah, então és um praticante! Aqui na lavandaria é mais swimming gear (e ocasionais trapos de ginásio quando as herdeiras sentem a primavera a chegar...)
Nunca percebi essa de ser o mulherio a definir-vos o 'estatuto'... ou terá a ver com a lavagem dos equipamentos?
Seja como for, e se o teu estendal está como o meu, só pode ser uma manhã em cheio, em que tudo pode acontecer!
Enjoy!