terça-feira, 18 de Julho de 2006


Outros estendais


Vou para o sul fingir que tiro férias de mim, também. Vou finalmente estender o corpo na água e na areia ao sol do fim da tarde, quando cai aquele silêncio, aquele mágico cansaço da florbela espanca, embora ela estivesse a pensar na grande planície. Oxalá este cansaço de mais uma volta das estações fosse mágico! Ou mais contente. Mas já houve voltas piores. Bah! É fazer a trouxa e zarpar!

Aos que ficam, saúde e riso. Aos que também zarpam....'bora!

sábado, 15 de Julho de 2006

Férias na lavandaria




"Lá vêm as férias com seus folguedos, lá vêm as férias com seu folgar, pássaros novos querem-se ledos, deixá-los voar, deixá-los voar"....

Ah a última página do livro da 3ª, ou da 4ª classe...brrr...que frio, neste calor!

sexta-feira, 14 de Julho de 2006


Lavadeiras e lavagens revolucionárias



A Marselhesa

REFRÃO

Aux armes, citoyens !
Formez vos bataillons !
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur...
Abreuve nos sillons !


I
Allons ! Enfants de la Patrie !
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé ! (Bis)
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats ?
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils, vos compagnes.

II
Que veut cette horde d'esclaves,
De traîtres, de rois conjurés ?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés ? (Bis)
Français ! Pour nous, ah ! Quel outrage !
Quels transports il doit exciter ;
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage !

III
Quoi ! Des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers !
Quoi ! Des phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers ! (Bis)
Dieu ! Nos mains seraient enchaînées !
Nos fronts sous le joug se ploieraient !
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées !

IV
Tremblez, tyrans et vous, perfides,
L'opprobre de tous les partis !
Tremblez ! Vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix. (Bis)
Tout est soldat pour vous combattre.
S'ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produira de nouveaux
Contre vous tout prêt à se battre.
Aux armes, citoyens ! Etc.

V
Français, en guerriers magnanimes
Portons ou retenons nos coups !
Épargnons ces tristes victimes,
A regret, s'armant contre nous ! (Bis)
Mais ce despote sanguinaire !
Mais ces complices de Bouillé !
Tous ces tigres qui, sans pitié,
Déchirent le sein de leur mère !

VI
Amour sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos bras vengeurs !
Liberté ! Liberté chérie,
Combats avec tes défenseurs ! (Bis)
Sous nos drapeaux que la Victoire
Accoure à tes mâles accents !
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et notre gloire !

VII
Peuple français, connais ta gloire ;
Couronné par l'Égalité,
Quel triomphe, quelle victoire,
D'avoir conquis la Liberté ! (Bis)
Le Dieu qui lance le tonnerre
Et qui commande aux éléments,
Pour exterminer les tyrans,
Se sert de ton bras sur la terre.

VIII
Nous avons de la tyrannie
Repoussé les derniers efforts ;
De nos climats, elle est bannie ;
Chez les Français les rois sont morts. (Bis)
Vive à jamais la République !
Anathème à la royauté !
Que ce refrain, partout porté,
Brave des rois la politique.

IX
La France que l'Europe admire
A reconquis la Liberté
Et chaque citoyen respire
Sous les lois de l'Égalité ; (Bis)
Un jour son image chérie
S'étendra sur tout l'univers.
Peuples, vous briserez vos fers
Et vous aurez une Patrie !

X
Foulant aux pieds les droits de l'Homme,
Les soldatesques légions
Des premiers habitants de Rome
Asservirent les nations. (Bis)
Un projet plus grand et plus sage
Nous engage dans les combats
Et le Français n'arme son bras
Que pour détruire l'esclavage.

XI
Oui ! Déjà d'insolents despotes
Et la bande des émigrés
Faisant la guerre aux Sans-Culottes
Par nos armes sont altérés ; (Bis)
Vainement leur espoir se fonde
Sur le fanatisme irrité,
Le signe de la Liberté
Fera bientôt le tour du monde.

XII
O vous ! Que la gloire environne,
Citoyens, illustres guerriers,
Craignez, dans les champs de Bellone,
Craignez de flétrir vos lauriers ! (Bis)
Aux noirs soupçons inaccessibles
Envers vos chefs, vos généraux,
Ne quittez jamais vos drapeaux,
Et vous resterez invincibles.

quinta-feira, 13 de Julho de 2006


Lavagens muito quentes

Sunny day for laundry, Bertha Walker

Que me perdoe a rapaziada da meteorologia e da protecção civil, mas vaga de calor para mim é coisa erótica. É assim a modos que uma intimação da carne a soltar a roupa e a procurar o refúgio das sombras e da frescura de outro corpo. Tem alguma coisa a ver com o calendário, mas com o calendário ancestral das estações. Vaga de calor em Março, anunciando a primavera e o desassossego hormonal, vaga de calor em Junho, com a aproximação do solstício e do sol, vaga de calor por altura das castanhas, adivinhando o inverno e a carícia da lã, vaga de calor em dezembro, em torno do solstício de inverno e das fogueiras na noite ...

Mas não é, de certeza, este tempo quente e nublado que nos quebra o ânimo e o riso, e nos deixa quase indiferentes ao correr do dia, suspensos na promessa longínqua de uma nocturna ausência dos sentidos.

quarta-feira, 12 de Julho de 2006

Lavagens semânticas
(congeminações à volta de um comentário)





Nostalgia e saudade. A nostalgia é a memória enternecida de algo que já passou ou que quase aconteceu. É pensar o passado com o coração, um pensamento agridoce, um sentir meio suspenso no tempo. Mas a saudade é coisa que dói, é uma falta que se sente, objectivamente. Não é alegre nem feliz a não ser aos sacões, de fugida.
Eu acho que a nostalgia nos acontece quando somamos anos e vidas. Quando, às tantas, começamos a olhar para trás.
A saudade, não. É um olhar mesmo nosso, da nossa gente, desta gente que vive aqui, entalada entre um oceano e um continente. É uma construção colectiva, que sentimos sem dizer e que vamos passando, de geração em geração, seja na pele ou na voz, e que erigimos em destino oficial ou afirmação cultural, como neste último século.
Pátria é isto, é esta condição colectiva, não esta coisa de faz de conta de bandeirolas e gritos de portugal.

Lavagens de verão

É verão. Mas um verão indeciso e manhoso, com nuvens, chuviscos e turbilhões de vento, abafado e imprevisível, refém de índices elevados de raios ultra violeta e ozono de superfície.

É um verão urbano, dividido entre os espaços climatizados e o calor húmido das ruas . Um verão que ignora o canto das cigarras, a pressão sólida do calor no corpo, a liberdade líquida do mar ou dos rios e albufeiras, a calidez das noites. Um verão que já não é bem verão mas uma paródia dos antigos estios. Um verão dominado pelas imagens de corpos amontoados no litoral, de incêndios dantescos a devorarem écrans e vidas, de lazeres longínquos a prestações módicas. Um verão onde as férias grandes desapareceram e o tempo deixou de ser o tempo das estações.

O verão, hoje, já não nos invade os dias e as emoções. Tem que ser construído a partir de memórias, desejos e fugas.

terça-feira, 11 de Julho de 2006

Na lavandaria, com Zapatero


O Vaticano protestou, invectivou ao mais puro estilo Torquemada, pois Zapatero, primeiro ministro de Espanha, não desempenhou o seu papel na internacionalmente aceite e esperada hipocrisia subserviente que rodeia o bispo de Roma. Tendo-o recebido à chegada a Valência (visita pastoral, visita política, Vasco Pulido Valente desenvolveu o tema no Público de domingo), como o protocolo determina, tratando-se de um chefe de estado (outra deliciosa particularidade do catolicismo), não compareceu nas cerimónias religiosas como a consciência e sentido de Estado lhe impuseram. Escândalo, horror, pouca vergonha, a merecer crítica oficial, na senda de anteriores intervenções públicas contestando algumas medidas de Zapatero, chefe de um governo democraticamente eleito. Se Ratzinger foi a Espanha ver as famílias, devia ter-se coibido de insultar a inteligência e honestidade moral de Zapatero...afinal sabia ao que ia. Mas é que são muitos séculos de poder a esboroarem-se por entre os dedos. Deve custar.... A nós, portugueses, impotentes perante os privilégios, sim, os privilégios, as prebendas, os pequenos e grandes subterrâneos poderes da Igreja, custa muito mais.... e não temos um Zapatero, temos um Sócrates. E mulheres condenadas por crime de aborto.

A ler, hoje, Vital Moreira também no Público.

Lavando mitos históricos



Sempre me fez imensa confusão a exposição pública de despojos humanos. Múmias, esqueletos, corpos embalsamados, etc. Afinal de contas, aquilo que os arqueólogos removeram do seu local de repouso e que a vitrine e as luzes devassam, já foi uma pessoa que, em vida, certamente nunca se teria exposto assim à curiosidade mórbida da multidão.
Ora na semana passada houve mais um episódio edificante, desta vez envolvendo os presumíveis restos mortais de D. Afonso Henriques, o fundador da nacionalidade. Pretendem os arqueólogos, apoiados pela moderna parafernália tecnológica, desvendar os segredos do nosso mais carismático monarca. É provável que, concluída a investigação, se fique a conhecer melhor o quotidiano da nobreza da época, e que o conhecimento do passado seja enriquecido. Mas, pessoalmente e no que respeita ao homem, prefiro continuar a acreditar no gigante da espada descomunal, que combateu a mãe e o primo e viveu uma vida intensa até atingir, ainda em plena posse das suas faculdades, uma longevidade improvável na época!
Já bem basta o branqueamento do Infante de Sagres (ou melhor, Espiche), esse iluminado e desassombrado construtor de impérios, homem de ciência e persistente explorador, que a História escondeu por detrás do chapelão do irmão, favorito de seu pai, açambarcador de benesses, ambicioso, desapiedado, misógino, amargo e revoltado contra o destino que dele havia feito filho segundo.
Ou Filipa de Lencastre, a sua formidável e virtuosa progenitora, educadora e moralizadora com que o salazarismo travestiu a recalcada e insuportável rosa inglesa que a corte e a família despacharam o mais longe possível!
Ou Leonor Teles, astuta e sedutora, sanguinária, sem escrúpulos, uma encadernação política que a História manteve de uma mulher que, afinal, teria sido apenas mais uma peça - lindíssima- do xadrez masculino do poder. E assim perdemos uma rainha má… Restar-nos-á, séculos mais tarde, uma devassa reaccionária e prepotente, cuja arrogância malcheirosa, não tem, nem de perto, nem de longe, a mesma carga simbólica...


segunda-feira, 10 de Julho de 2006


Lavandaria dos sentidos


Waschtag, Christian Sommer

Há manhãs assim. O sol explode logo ao amanhecer contra o azul brilhante do céu. Uma brisa fresca promete alguma trégua ao calor que se anuncia e os sentidos ficam subitamente alerta. O corpo absorve estas ondas quentes e tépidas e luminosas e na cabeça rodopia um turbilhão de imagens em câmara lenta. Uma troca de olhares em que mal se reparou, uma mão suspensa e que agora afaga um braço nu, um riso simultâneo e repentino esquecido na memória, um beijo que já não é despedida mas entrega...

E depois, o tráfego, a correria das gentes, o céu que se encobre, o vento que desaparece e a terra que aquece, sem luz nem odor. Mas, seja como for, fica no ar ao longo da jornada, a promessa matutina de um dia magnífico e a construção poética do que já não é ou ainda não foi.

domingo, 9 de Julho de 2006

Na lavandaria, em transe, com herberto helder





Há um perfume de roupa fria ao longo dos dias que nos percorrem, ao fundo inclinam-se os montes com os dorsos latejantes, as palavras desprendem-se de um ramo de extremo silêncio, de súbito eu volto-me e vejo o sol pedalando em direcção às estátuas introvertidas que pensam para sempre, brancamente fechadas - a maneira de nos vermos é também uma bicicleta de barbatanas de seda, assim atravessamos um país rodeado pela bebedeira, no meio da nossa doçura mortal as maçãs agarram-se com força à sua cor, onde agora o outono tão próspero cambaleia, e tu perguntas: quem sabe tanto o ouro que o diga neste instante? -mas iremos até ao fim deste clima derramado: ao longe os animais caem em fantasia, encurvam-se as paisagens com a exaltação por baixo - e então é monstruosa a candura com que avanças para a tua mais secreta beleza, tua mão de mulher toca na minha camisa, e enquanto eu paro sob o arco frio, uma terrível paixão alimenta a tua vida, os rostos sangrentos das mães movem-se com as patas leves na noite toda sem pétalas - tu ardes soturnamente, e de mãos dadas entramos em pleno crime: usados por nós, os mortos edificam as suas paisagens inaudíveis - e ferve no amor um silêncio púrpura.

sábado, 8 de Julho de 2006



Outros estendais, amor e revolução 2

o tempo das cerejas e o tempo dos cravos, reconciliados hoje

Les cerises, Dumazet

A Estação das Cerejas


Eu hei-de ser das cerejas,
da vertigem dos cardumes,
do mistério dos pardais
Hei-de ser o que tu sejas,
aquilo a que te resumes:
as orações naturais

Eu hei-de ser vento norte.
Rir-me na cara da morte.
A dança do colibri
Mas hei-de ser do meu peito,
desta dor com que me deito
só porque me dói de ti

Eu hei-de ser das cerejas,
do luar na primavera,
labirinto de prazer…
Hei-de ser o que desejas
que por ti sabes que espera
enquanto a lua quiser

eu hei-de ser do nada
como a papoila encarnada
que nada fez por nascer.
Hei-de nascer tua amada,
sem uma razão nem nada,
mas só porque tem de ser.

joão monge na voz da aldina duarte

Outros estendais, amor e revolução 1
Esta cançoneta de amor, anterior à Comuna de Paris (1871), tornou-se, após o massacre dos Communards, o hino revolucionário e símbolo das esperanças e ideais que então inundaram as ruas . Para nós, aqui na lavandaria, o tempo dos cravos foi precedido pelo tempo das cerejas. Que me perdoem não ousar a tradução, mas há lavagens que não devem ser feitas

Le Temps des Cerises


Quand nous en serons au temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au cœur.
Quand nous en serons au temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur.
Mais il est bien court le temps des cerises
Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d'oreilles
Cerises d'amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang.
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu'on cueille en rêvant.
Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d'amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai pas sans souffrir un jour.
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des chagrins d'amour.
J'aimerai toujours le temps des cerises
C'est de ce temps là que je garde au cœur
Une plaie ouverte
Et dame Fortune en m'étant offerte
Ne saura jamais calmer ma douleur.
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au cœur.

Jean-Baptiste Clément e Antoine Renard

sexta-feira, 7 de Julho de 2006

Estendal fiscal pouco educativo



Há dias, no Público, Vital Moreira apoiava proposta de eliminação das deduções relativas a despesas de educação em sede de IRS, afirmando que privilegiavam aqueles cujos filhos frequentavam o ensino privado, já que o ensino público é gratuito.

Não é assim. O ensino público é gratuito, em termos de frequência, mas as despesas com livros, equipamentos e materiais tem-se tornado cada vez mais difícil se suportar por um número crescente de famílias. Acresce que o apoio social tem vindo a ser reduzido drasticamente e apenas abrange as famílias no limiar da probreza e (oh, surpresa!)profissionais liberais e empresários. E sim, estes últimos têm o descaramento de o solicitar, já que a concessão se baseia na declaração de IRS. Claro que o acumular de situações de escandaloso aproveitamento levou a que o Ministério da Educação instrumentalizasse (oh, surpresa!) os professores, solicitando aos Directores de Turma dos alunos requerentes que confirmem a necessidade do subsídio.

Convém também não esquecer que o montante total da dedução (equivalente a cerca de três ou quatro mensalidades num colégio privado) é o mesmo, quer a família tenha um ou dois filhos a estudar, só aumentando, percentualmente, a partir do terceiro filho.

Enquanto esta situação se mantiver, o melhor é deixar às famílias de menores recursos esta possibilidade de recuperarem alguma despesa com a escolaridade gratuita, mesmo que dela também beneficiem os espertos e descarados do costume.

quinta-feira, 6 de Julho de 2006

Lavando na relva



Ontem, de novo mulheres foram condenadas pelo crime de aborto. Os juízes declararam que a solução do "problema" é política.

Quando se perde a vergonha e a humanidade, se esconde a inteligência e se cala a consciência e nada disto espanta, pouco resta. Ou, pelo contrário, tudo se torna possível.

Bem sei que as emoções, os sentimentos, a atenção estavam concentrados num relvado alemão, mas aqui na lavandaria este ultraje correu em rodapé durante todo o dia.

Até quando?

quarta-feira, 5 de Julho de 2006

Lavando amores sombrios na terra do fado





Il n'y a pas d'amour heureux

Rien n'est jamais acquis à l'homme

Ni sa force ni sa faiblesse ni son coeur

Et quand il croit ouvrir ses bras son ombre est celle d'une croix

Et quand il croit serrer son bonheur il le broie

Sa vie est un étrange et douloureux divorce

Il n'y a pas d'amour heureux

Sa vie elle ressemble à ces soldats sans armes

Qu'on avait habillés pour un autre destin

A quoi peut leur servir de se lever matin

Eux qu'on retrouve au soir désœuvrés incertains

Dites ces mots ma vie et retenez vos larmes

Il n'y a pas d'amour heureux

Mon bel amour mon cher amour ma déchirure

Je te porte dans moi comme un oiseau blessé

Et ceux-là sans savoir nous regardent passer

Répétant après moi les mots que j'ai tressés

Et qui pour tes grands yeux tout aussitôt moururent

Il n'y a pas d'amour heureux

Le temps d'apprendre à vivre, il est déjà trop tard

Que pleurent dans la nuit nos coeurs à l'unisson

Ce qu'il faut de malheur pour la moindre chanson

Ce qu'il faut de regrets pour payer un frisson

Ce qu'il faut de sanglots pour un air de guitare

Il n'y a pas d'amour heureux

Il n'y a pas d'amour qui ne soit douleur

Il n'y a pas d'amour dont on ne soit meurtri

Il n'y a pas d'amour dont on ne soit flétri

Et pas plus que de toi l'amour de la patrie

Il n'y a pas d'amour qui ne vive de pleurs

Il n'y a pas d'amour heureux

Mais c'est notre amour à tous les deux

Louis Aragon

terça-feira, 4 de Julho de 2006


Cantiga na lavandaria



Levantou-se a bela;
rompe a alvorada
vai lavar camisas
no rio:
lava-as de alvorada.

Vai lavar camisas;
rompe a alvorada;
o vento lhas desvia
no rio:
lava-as de alvorada.

Finas peças lava...

D.Dinis, Rei de Portugal

segunda-feira, 3 de Julho de 2006


Galeria Lavandaria



Laundry day, Mary Robison Blair



domingo, 2 de Julho de 2006


Morte na lavandaria






Morte na praia
Faz hoje quinze dias que manifestantes palestinianos, israelitas e activistas internacionais enfrentaram as forças militares de Israel, em protesto pelo massacre da praia de Gaza, perpretado pela artilharia israelita. Bem sei que estamos muito longe e pouco podemos fazer. Mas podemos fazer alguma coisa. Os consumidores suecos, recusam-se a consumir vinho israelita de Golan e Yarden com o rótulo "Made in Israel", já que este é produzido em zonas ocupadas, o que levou a agência de comercialização estatal a apôr nas garrafas a designação "Made in Israel-occupied Syrian territories". Independentemente das restrições internacionais impostas a Israel nós, cidadãos e consumidores, podemos fazer as nossas escolhas. Podemos escolher, pura e simplesmente, não consumir produtos israelitas. Estes já nos chegam tintos de sangue, quando tantos outros também chegam à Europa marcados pelo sofrimento e pela miséria desesperada de homens, mulheres e crianças. Não precisamos de tanta coisa. Não precisamos sobretudo de sujar as mãos e renegar a alma.

sábado, 1 de Julho de 2006


Lavando à defesa


Aqui na lavandaria estamos radiantes com o novo ministro da Defesa. Finalmente um conhecedor, ainda por cima um intelectual, uma voz da História, um sobrinho do 25 de Abril! E apresentável! Decente, barbeado, nó da gravata ajustado ao colarinho!

Ainda recordamos, com enlevo, as suas memoráveis reflexões sobre a Guerra da Restauração, a memória enciclopédica que arquivou, até à última referência, cada bala de canhão do sistema de defesa fronteiriça. Com bravos destes, nem a Inglaterra hoje se atreverá a ofender a baliza portuguesa!

Grande país que tais filhos deu ao mundo!