
sexta-feira, 28 de Abril de 2006

quinta-feira, 27 de Abril de 2006

Uma dona de casa chegou de férias tendo trazido vários sacos de diferentes tipos de roupas (de corpo e de casa) para lavar.Embora a sua máquina permita seleccionar várias temperaturas e escolher se se quer centrifugar ou não, só tem capacidade para lavar 5kg de roupa de cada vez. Como fez grandes gastos nas férias, pretende minimizar o número de lavagens, para poupar em água, detergente e energia eléctrica. Porém, sente-se atrapalhada pois não sabe a melhor forma de combinar as roupas de modo a não ultrapassar a capacidade da máquina e a garantir que fique bem lavada sem correr o risco de estragar alguma peça (o que acontece se não respeitar as condições de lavagem próprias de cada artigo).
Tarefa
A sua tarefa consiste em desenvolver um programa em Prolog que determine uma solução possível para o problema da dona de casa, ou seja, que proponha um agrupamento das peças de modo a respeitar as restrições (da máquina e da roupa) anteriormente referidas.
Restrições:
O seu programa deve fazer o agrupamento tendo em consideração as seguintes regras:
roupa branca não pode ser misturada com roupa de cor;
cada lote não pode ultrapassar os 5kg;
um tipo de roupa não pode ser lavado a uma temperatura mais alta que a indicada, nem pode ser centrifugado se tal estiver interdito nas suas características;
de preferência e sempre que tal não seja contra-indicado, as peças devem ser centrifugadas;
quando a temperatura recomendada não é classificada como máxima, esse artigo terá de ser lavado exactamente a essa temperatura.
Os Dados
A base de conhecimentos usada pelo programa reside num ficheiro de nome "lavanda.dat", o qual deve ser consultado no início. Esse ficheiro contém uma colecção de factos referentes ao predicado:
roupaSuja/7cujos argumentos são os descritos a seguir
roupaSuja(nomePecas,quantidade,pesoUnit,temperatura,tipo,centrifuga,cor )
em que tipo especifica se a temperatura indicada é a maxima ou a recomendada e
centrifuga diz se pode (sim) ou nao ser centrifugada. O argumento cor,
toma o valor sim ou nao, conforme se trata de roupa de cor que pode tingir ou de roupa branca.
Os Resultados
O seu programa deve ser activado através do predicado de aridade zero
lava/0
Como resultado, deve acrescentar à base de conhecimento uma colecção de novos factos
loteLavagem/3
em que os argumentos terão o seguinte significado
loteLavagem( temperatura,centrifuga,carga ) onde carga é uma lista de pares que descreve o nome das peças e a quantidade que irão constituir o lote em causa.
quarta-feira, 26 de Abril de 2006
À falta de melhor contributo para o calendário cívico, há para aí uns trambolhos que se dizem do 24. Ou de 26.
Nós, aqui na lavandaria, somos mesmo é de 25. De Abril. De 1974.

terça-feira, 25 de Abril de 2006
Lisbon Laundry, Laura Howell
25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
SALGUEIRO MAIA
Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Somos filhos da madrugada
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
segunda-feira, 24 de Abril de 2006

Natália Correia
domingo, 23 de Abril de 2006

Eis alguns dos que nos ampararam aqui na lavandaria: Liliane Lurçat, Fanny Capel, Chris Woodhead, Michel Jarrety, Charles Coutel, Alain Soral, Adrien Barrot, Jean-Pierre le Goff, J.C. Michéa, Guy Morel, Daniel Tual-Loizeau, Melanie Phillips, Elizabeth Altschull, Claire Laux, Isabel Weiss, Phillipe Milner.
sábado, 22 de Abril de 2006

Ficou-te o cheiro na mão
Adora-me o meu retrato
quinta-feira, 20 de Abril de 2006
quarta-feira, 19 de Abril de 2006

No fundo do mar há brancos pavores,
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 18 de Abril de 2006
segunda-feira, 17 de Abril de 2006

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head And as I climb into an empty bed Oh well, enough said I know it's over, still I cling I don't know where else I can go Oh Mother, I can feel the soil falling over my head See, the sea wants to take me The knife wants to cut me Do you think you can help me? Sad veiled bride, please be happy Handsome groom, give her room Loud, loutish lover, treat her kindly Although she needs you more than she loves you I know it's over, still I cling I don't know where else I can go And I know it's over And it never really began But in my heart it was so real And you even spoke to me and said: "If you're so funny then why are you on your own tonight? And if you are so clever then why are you on your own tonight? If you're so terribly good looking then why do you sleep alone tonight? Because tonight is just like any other night That's why you're on your own tonight With your triumphs and your charms While they are in each other's arms..." It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes strength to be gentle and kind It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes guts to be gentle and kind Love is Natural and Real But not for you, my love Not tonight my love Love is Natural and Real But not for such as you and I, my love Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
domingo, 16 de Abril de 2006
Páscoa na lavandaria

Antes da Páscoa cristã, mas deixando até aos nossos dias algumas reminiscências como os coelhos e os ovos (símbolos da fertilidade e da vida), os festivais anglo-saxónicos e celtas de Eostre e Ostara celebravam o renascimento da natureza, as árvores que floriam e se cobriam de folhagem, e a época de acasalamento dos animais.
sábado, 15 de Abril de 2006

terça-feira, 11 de Abril de 2006
segunda-feira, 10 de Abril de 2006
Da rebeldia na lavandaria
Laundry, Joseph LeBoit
domingo, 9 de Abril de 2006
Forget-me-not, série Windies, Pauline Clancy
sábado, 8 de Abril de 2006
sexta-feira, 7 de Abril de 2006
Muitos, na lavandaria
Não sei quantos seremos, mas qu'importa?!
Um só que fosse e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
Miguel Torga
quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Hoje não se lava, mas a roupa suja amontoa-se! A Diocese do Porto absolve as Oficinas de S. José de responsabilidades no homicídio do sem-abrigo do Porto (a César o que é de César, mas como César se demite, avançam, prestimosos e em causa própria, os ungidos por Deus); o ministro da Justiça e o ex-director da PJ regateiam em público quem demitiu quem; o governo reduz nomeações de generais mas a tropa troca-lhe as voltas; o primeiro ministro, mais a fina-flor empresarial vão oferecer-se à cleptocracia angolana; lá fora, os estudantes (?) queimam livros na Sorbonne; Villepin e Sarkozy esgatanham-se polidamente e ergarçam o tecido social francês; Berlusconi solta mais alarvidades inconcebíveis numa vertigem desesperada que as sondagens não sossegam.

O melhor é fazer uma saponária. Com muito sabão.
quarta-feira, 5 de Abril de 2006
Eros de cordel na lavandaria
Ode to the Laundromat Woman
I spotted you under fluorescent lights
You were sorting out your darks and your whites
On top of your machine lay a bottle of Cheer
In your sweatpants and t-shirt, you looked so dear
The dryers were spinning and it was time to be Bold
I felt my opening line was as good as gold
You threw in some sheets so the fabric would soften
I said "Hey baby, do you come here often?"
You rolled your eyes and told me to "Get lost"
And made me think about the line I had crossed
Was it something I said? Was it foolish pride?
Whatever it was, I couldn't turn the Tide
Some say laundromats are a good place to meet
But I beg to differ with that old conceit
If you want to ask, think twice before you try
Forget the suds or you'll be hung out to dry
Patrick Hester
terça-feira, 4 de Abril de 2006

ou futurista?
Escondemos as nossas máquinas de lavar roupa em marquises, cozinhas e lavandarias e exibimos orgulhosamente computadores, televisões e aparelhagens várias. É claro que o barulho do motor é irritante e a malta da engenharia ainda não se incomodou a reduzi-lo verdadeiramente a um ronronar que complete o marulhar da água no tambor! Até lá, proponho um novo olhar, de reconhecimento técnico e contemplação artística. A beleza pode ser pura e metálica.
segunda-feira, 3 de Abril de 2006
A lady's maid washing linen, Henry Morland
Retrato de uma princesa desconhecida
Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de princípes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 2 de Abril de 2006
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!
Sophia de Mello Breyner Andreson
sábado, 1 de Abril de 2006
Escrita feminina na lavandaria

Aqui há uns anos descobri, graças à Revista do Expresso, uma nova e, ao que parecia, badalada e bem sucedida escritora portuguesa: Margarida Rebelo Pinto. O corpo do texto ilustrava três ou quatro fotografias generosas que expunham, em diferentes ângulos, a esbelteza e elegância da senhora, particularmente o vente liso e o umbigo artístico, o olhar lânguido e o colo irreverente. Decidi, evidentemente, não perder tempo com a prosa de tão diáfana e moderna criatura: escritora que se preze e respeite é generosa nas formas, tem um luxuriante coberto piloso e não faz beicinho nas fotos quando é entrevistada! Mas é claro que lá fui espreitando a obra publicada que encontrava nas livrarias. Tendo crescido à sombra da terrível Condessa de Ségur, na infância, e da inesquecível Odette de Saint-Maurice na adolescência (à sorrelfa do controle paterno), achei que as novas gerações também tinham direito à literatura de cordel. O neo-liberalismo encarregou-se, consta, de tornar a senhora um êxito de vendas. Não me espantou e até achei meritório que se lesse tanto na lavandaria e na casa de banho. O que não percebo - de verdade - é esta providência cautelar dos editores da Rebelo Pinto contra alguém que chamou a si a excêntrica e corajosa tarefa de ler a obra toda, e ainda se denodar a produzir uma reflexão coerente sobre a coisa!
Das explicações veiculadas pela imprensa parece que o autor da profanação falta ao respeito e ofende intelectualmente a senhora. Parece-me difícil que o faça melhor que ela, mas não deixa de me provocar náuseas esta recuperação privada de uma antiga e terrível vocação censória, e tenho uma grande vontade de ajudar a transformar o objecto de tamanha cretinice num êxito de vendas. De qualquer modo, ela aí está, hiperfeminina e enxuta, para quem a quiser ler sem ofender a estante.



